Sabe aquele aluno que solta um "She don't like coffee" no meio de uma história ótima, e você fica dividido entre corrigir na hora ou deixar passar? Pra saber como corrigir erros do aluno de inglês, a regra curta é: corrija pouco, corrija o erro que atrapalha ou que se repete, e escolha o momento certo, que quase nunca é no meio da frase. O resto é técnica, e dá pra testar já na próxima aula.
🎯 Como corrigir erros do aluno de inglês sem travar a conversa
Pra mim, o maior erro na correção é achar que corrigir tudo é sinal de bom professor. Não é. Aluno corrigido a cada três palavras aprende uma coisa só: que falar é perigoso.
E aí ele começa a responder com yes, no e I don't know, porque frase curta não tem erro. Se você já deu aula pra esse aluno, sabe como é difícil desfazer isso depois (falei mais disso no post sobre aluno que entende inglês, mas trava para falar).
Então, antes da técnica, a resposta direta:
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| Erro que impede entender | Corrigir na hora, rapidinho |
| Erro que se repete e é do nível dele | Corrigir, de preferência no fim da atividade |
| Erro de algo que ele ainda não estudou | Deixar passar (ou anotar pra depois) |
| Deslize que ele mesmo percebe | Só esperar ele se corrigir |
| Atividade de fluência (conversa solta) | Anotar e corrigir depois |
| Atividade de precisão (treino de estrutura) | Corrigir na hora |
Com essa tabela na cabeça, o resto é escolher como corrigir.
🔍 Nem todo erro merece correção
Um filtro simples ajuda muito: antes de interromper, pergunte pra você mesmo se o erro atrapalha a comunicação, se é do nível dele e se está se repetindo.
Se o aluno é A2 e falou "I have went to the beach", isso é um erro que vale corrigir, porque passado simples é a matéria dele. Agora, se ele usou um would have been meio torto, que ainda nem apareceu na aula, deixa. Corrigir o que ele ainda não estudou é como dar bronca por não saber o caminho de uma cidade que ele nunca visitou.
Uma ideia que funciona: escolha um ou dois alvos por aula. Se a aula é de present perfect, você fica de olho nele. O resto, só se travar o entendimento.
🗣️ Correção na hora: os jeitos que não constrangem
Quando o erro pede correção imediata, tem jeitos mais leves que "Não, o certo é…". Os três que mais funcionam em aula particular:
- Recast (reformular): você repete a frase certa, de forma natural, como quem continua a conversa. Aluno: "She don't like coffee." Você: "Oh, she doesn't like coffee? What does she drink, then?"
- Pedido de esclarecimento: você faz cara de dúvida e pergunta "Sorry?" ou "She…?", e dá a chance de ele mesmo arrumar.
- Pista com o dedo: você conta as palavras nos dedos e para no dedo do erro. Parece bobo, mas é rápido e não interrompe a fala com explicação.
O recast é o mais gentil, mas tem um problema: muito aluno nem percebe que foi corrigido. Se o erro é o seu alvo da aula, prefira a pista ou o pedido de esclarecimento, que fazem o aluno produzir a forma certa. Pra mim, acertar sozinho fixa mais do que só ouvir.
"Hmm, say that again?" — às vezes é toda a correção que precisa.
📝 Correção depois: a lista do fim da atividade
Na conversa solta, o ideal é não interromper. Em vez disso, você anota os erros num papel ou num documento enquanto o aluno fala, e no fim da atividade dedica uns cinco minutos a eles.
Um mini roteiro que você pode testar amanhã:
- Durante a conversa, anote só as frases com erro, do jeito que ele falou.
- No fim, escreva duas ou três delas na tela ou no papel, sem dizer quem falou (em aula particular ele sabe, mas o clima fica mais leve).
- Pergunte: "Can you find the mistake?"
- Deixe ele corrigir. Se não conseguir, dê a pista e só então a resposta.
- Peça uma frase nova com a forma certa, sobre a vida dele.
O passo 5 é o que transforma correção em aprendizado. Corrigir "I have went" pra "I have been" é ótimo; o aluno falar "I have been to Salvador twice" sobre a viagem dele é melhor ainda.
E dá pra misturar: anote também uma ou duas frases que ele acertou e eram difíceis. Correção não precisa ser só sobre o que deu errado.
🔁 O erro que volta toda semana
Tem erro que você corrige, o aluno acerta na hora e, na aula seguinte, lá está ele de novo. Isso é normal: corrigir uma vez não fixa nada.
Pra esses erros "de estimação", algumas ideias:
- Anote no registro do aluno. Se o "She don't" aparece há três aulas, isso vira o alvo da próxima. Se você não guarda isso em lugar nenhum, vai depender da memória, e com vários alunos a memória falha (escrevi sobre isso em registro de aula particular de inglês).
- Abra a aula com o erro. Dois minutos no começo, com três frases rápidas pra ele dizer do jeito certo.
- Dê um sinal combinado. Um gesto ou uma palavra ("third person!") que ele já sabe o que significa. Corrige em um segundo sem quebrar a conversa.
Pra mim, o erro que volta não é falha do aluno nem do professor. É só sinal de que aquela estrutura ainda precisa de mais repetição.
💬 Frases prontas pra corrigir com leveza
Se você trava na hora de corrigir sem soar chato, guarda essas, que funcionam em quase todo nível:
- "Almost! Try again."
- "Good idea. How do we say it in the past?"
- "One small thing: we say 'she doesn't'."
- "Listen: 'I've been there.' Now you."
- "That's a really common mistake. Even advanced students make it."
A última é ouro com aluno adulto, que costuma ficar mais envergonhado com erro do que adolescente. Lembrar que é um erro comum tira o peso e mantém ele falando.
No fim das contas, eu acho que corrigir bem é corrigir menos e melhor: um alvo por vez, no momento certo, com o aluno fazendo o trabalho de acertar.
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