A1, A2, B1 e B2: o que o CEFR realmente exige em cada nível
01 de setembro de 2026
Quando um aluno diz que é “intermediário”, isso quase nunca resolve a vida do professor. Intermediário de quê? Ele entende série? Consegue pedir informação numa viagem? Sustenta uma conversa de trabalho? Escreve um e-mail sem traduzir palavra por palavra?
É para tirar essa conversa do achismo que existe o CEFR, a régua europeia que organiza o inglês em A1, A2, B1, B2, C1 e C2. Mas ela costuma ser usada do jeito errado: como uma lista de conteúdos para riscar. “Deu present perfect, então agora é B1.” Não é assim.
Nível é o que o aluno consegue fazer com a língua, de forma repetida e sem depender do professor para montar cada frase.
A diferença entre os níveis, em linguagem de aula
| Nível | O aluno já consegue fazer | O que ainda trava |
|---|---|---|
| A1 | Se apresentar, falar de rotina, família, gostos e necessidades imediatas com frases curtas. | Sustentar conversa fora dos temas muito conhecidos. |
| A2 | Resolver situações previsíveis: viagem, compras, trabalho simples, planos e histórias curtas. | Entender fala rápida e explicar opinião com detalhe. |
| B1 | Dar opinião, contar experiências, lidar com imprevistos e acompanhar boa parte de uma conversa normal sobre temas familiares. | Ser preciso sob pressão e acompanhar assunto abstrato ou técnico. |
| B2 | Defender ponto de vista, participar de reunião, negociar sentido e acompanhar materiais mais complexos. | Soar natural em qualquer registro e dominar nuance. |
Essas descrições importam mais que o nome do tempo verbal. Um aluno pode saber conjugar vários tempos e continuar no A2 se só consegue usá-los em exercícios isolados. E alguém no B1 pode cometer erros de preposição enquanto comunica uma ideia inteira, entende a resposta e segue a conversa.
O que o CEFR não diz
O CEFR não estabelece uma tabela oficial do tipo “A2 tem exatamente 2 mil palavras” ou “B1 termina no present perfect”. Ele descreve desempenhos. A lista de palavras, os temas e a sequência de gramática são escolhas de currículo.
Isso é importante para quem dá aula particular porque impede duas armadilhas comuns:
- Confundir conteúdo dado com conteúdo dominado. Explicar can, should e passado não prova que o aluno usa isso quando precisa falar.
- Fazer a aula girar no vocabulário confortável. Sem uma lista por nível, o aluno volta sempre aos mesmos temas: viagem, comida, rotina e hobbies. Parece progresso, mas o repertório não cresce.
- Promover cedo demais. Acertar uma folha de exercícios não é o mesmo que conseguir resolver uma situação nova com a mesma língua.
Como o currículo do Teacher OS transforma a régua em aula
No Teacher OS, a régua vira um caminho de 20 etapas: 3 no A1, 4 no A2, 4 no B1, 5 no B2 e 4 no C1. Cada etapa combina vocabulário, gramática, leitura, prática e conversa. A ideia é simples: a gramática entra para permitir uma ação, não para completar uma lista.
O dicionário que sustenta esse currículo também mostra por que “nível” não é uma etiqueta pequena. Na contagem de 1º de setembro de 2026, ele tem:
| Nível | Palavras | Sentidos |
|---|---|---|
| A1 | 880 | 918 |
| A2 | 1.993 | 2.172 |
| B1 | 2.834 | 3.106 |
| B2 | 2.576 | 2.859 |
“Sentidos” aparecem separados porque uma mesma palavra pode mudar de papel conforme o nível. Get como “receber”, get home como “chegar” e get over como “superar” não são o mesmo item de aprendizagem só porque a palavra escrita é igual.
Quatro perguntas para decidir onde o aluno entra
Antes de escolher a primeira aula, vale responder estas perguntas com exemplos reais, não só com a autoavaliação do aluno:
- Ele entende uma pergunta simples sem você traduzir?
- Ele responde com uma frase própria ou só reconhece alternativas?
- Ele consegue continuar depois de errar, reformulando a ideia?
- O desempenho se mantém quando o assunto muda?
Se a resposta cai quando o tema sai da rotina, não é falta de confiança apenas. Geralmente há um buraco de vocabulário, estrutura ou exposição que precisa aparecer no plano.
O objetivo não é dar um rótulo bonito
O melhor resultado de nivelar não é poder dizer “meu aluno é B1”. É saber qual é a próxima aula que evita dois desperdícios: revisar por meses o que ele já domina ou jogar nele uma atividade que ele ainda não consegue acompanhar.
Para o professor particular, nível é uma decisão de planejamento. Quando a régua está clara, fica mais fácil explicar o caminho ao aluno, medir avanço e preparar uma aula que realmente puxa o próximo degrau.
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